Pantanal
Maria do Bairro, Marimar e Maria Mercedes
A Usurpadora
Carrossel
O Dono do Mundo
Na década de 1990, a homogenia da
TV Globo passou a ser ameaçada pela concorrente Manchete e pelo SBT. A
primeira arrebatou o público com a sensualidade de Cristiana Oliveira na pele
da heroína Juma Marruá, fazendo ainda Cláudio Marzo viver um personagem
antológico: o fazendeiro Zé Leôncio. Essa era Pantanal, retratando toda a beleza e biodiversidade brasileira, sob
o impecável texto de Benedito Ruy Barbosa, que tivera a sinopse de tal novela
recusada na Globo. A audiência do folhetim incomodou a concorrente, que também
encontrou problemas com o SBT importando novelas do México. A trilogia das
‘Maria’, heroínas vividas por Thalia, agarrou o público e não o soltou mais,
com típicos melodramas. Clássicos, Maria
do Bairro, Marimar e Maria Mercedes até
hoje são reprisadas e apresentam bons resultados nas tardes da emissora de Sílvio
Santos. Outro produto do gênero trouxe todo o talento de Gabriela Spanic ao Brasil e fez de Paola Bracho uma das maiores vilãs do mundo: A Usurpadora. Mas o maior problema da Globo foi a novela mexicana infantil Carrossel. As crianças paravam o que
estavam fazendo para conferir a inesquecível professorinha Helena, vivida por
Gabriela Riveros, ajudando sua turma – que tinha alunos como Cirilo, Maria
Joaquina, Jaime e Valéria – a resolver diversos problemas pessoais, tudo
mesclado a muita fantasia e emoção. O sucesso de Carrossel chegou a incomodar o horário nobre da Globo com sua não
menos excelente trama O Dono do Mundo,
que trazia Antônio Fagundes como o médico Felipe Barreto, um vilão sedutor e sem o
menor caráter, capaz de levar para a cama a noiva de seu amigo em plena
lua-de-mel do casal para ganhar uma aposta. A mocinha corrompida, papel de Malu
Mader, transformou-se em uma perigosa vilã no desenrolar da história.
Renascer
O Rei do Gado
Terra Nostra
A Indomada
Fera Ferida
Pedra Sobre Pedra
A Próxima Vítima
Por Amor
Explode Coração
Quatro por Quatro
Top Model
Vamp
A Viagem
Mulheres de Areia
Ainda na
faixa das 21h, a Globo apresentou sucessos marcantes e variados: o clima de
suspense do romance policial A Próxima
Vítima (Sílvio de Abreu), a simplicidade rural e toda a emoção de Renascer, O Rei do Gado e Terra Nostra,
trazendo Raul Cortez e Antônio Fagundes em papéis memoráveis e fazendo o público torcer pelo amor de dois imigrantes italianos (Benedito Ruy
Barbosa), a exploração do mundo dos ciganos e do transplante de coração em Explode Coração (Glória Perez), todo o sentimentalismo capaz de
fazer Helena trocar seu próprio bebê pelo filho morto recém-nascido de sua
filha Maria Eduarda, em Por Amor (Manoel
Carlos) e o realismo fantástico de Fera Ferida e seus típicos moradores, Pedra Sobre Pedra e A Indomada
(todas de Aguinaldo Silva), que no último capítulo exibia ao público a cena clássica
da vilã Maria Altiva (Eva Wilma) evaporando em um incêndio e sua imagem
sinistra no meio das nuvens jurando vingança ao povo de Greenville, com uma
risada maléfica. No horário das 19h, os brasileiros riram muito com quatro
mulheres de diferentes idades e personalidades se encontrando na cadeia e
fazendo um pacto em Quatro por Quatro (Carlos
Lombardi) e com a saga de vampiros que virou febre nacional, tendo Ney
Latorraca como conde drácula, em Vamp (Antônio
Calmon), além de toda a emoção e romantismo na comédia romântica Top Model, com Malu Mader (Antônio
Calmon e Walther Negrão), mas foi Ivani Ribeiro que emocionou o país na faixa
com sua última obra: A Viagem, com
temática espírita, que trazia o amor transcendental entre o advogado Otávio
Jordão (Antônio Fagundes), depois de morto em um acidente, com sua amada Diná
(Christiane Torloni), que ficara na Terra recebendo seus sinais. A novelista,
um ano antes, havia feito, no horário das 18h, de Mulheres de Areia, um vício nacional, contando com o talento de
Glória Pires para viver as irmãs gêmeas Ruth e Raquel, idênticas fisicamente,
mas de personalidades opostas, disputando o amor de um mesmo homem, o rico
empresário Marcos (Guilherme Fontes).
Felicidade
História de Amor
Barriga de Aluguel
Xica da Silva
Chiquititas
Ainda na faixa das 18h durante a
década de 1990, Glória Perez fez o público se emocionar ao promover a comovente
disputa judicial entre Cláudia Abreu e Cássia Kiss por uma criança em Barriga de Aluguel, e Manoel Carlos
apresentou duas marcantes crônicas da vida real: Felicidade e História de Amor,
a primeira contando os encontros e desencontros de Maitê Proença e Tony Ramos,
e a segunda traçando uma linda narrativa sobre relações amorosas e familiares,
tendo Regina Duarte como protagonista. No final da década de 1990, o SBT e a
Manchete voltaram a causar dores de cabeça para a Globo. A primeira apresentou
uma febre nacional infantil que durou cinco temporadas: Chiquititas, remake de uma exitosa produção argentina de Cris
Morena, tinha Flávia Monteiro como a mocinha Carolina e retratava as aventuras
vividas por crianças e adolescentes dentro de um orfanato, com muita música e
romance embalando a narrativa que durou cinco anos e apresentou diversos
talentos ao Brasil, como Fernanda Souza, Bruno Gagliasso e Paulo Nigro. Já a
Manchete trazia Walcyr Carrasco assinando Xica
da Silva, uma inesquecível história de época e a primeira novela brasileira
a ser estrelada por uma atriz negra. A atriz em questão era Taís Araújo.























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