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segunda-feira, 9 de julho de 2012

A novela no Brasil - parte III


Pantanal

Maria do Bairro, Marimar e Maria Mercedes

A Usurpadora

Carrossel

O Dono do Mundo

Na década de 1990, a homogenia da TV Globo passou a ser ameaçada pela concorrente Manchete e pelo SBT. A primeira arrebatou o público com a sensualidade de Cristiana Oliveira na pele da heroína Juma Marruá, fazendo ainda Cláudio Marzo viver um personagem antológico: o fazendeiro Zé Leôncio. Essa era Pantanal, retratando toda a beleza e biodiversidade brasileira, sob o impecável texto de Benedito Ruy Barbosa, que tivera a sinopse de tal novela recusada na Globo. A audiência do folhetim incomodou a concorrente, que também encontrou problemas com o SBT importando novelas do México. A trilogia das ‘Maria’, heroínas vividas por Thalia, agarrou o público e não o soltou mais, com típicos melodramas. Clássicos, Maria do Bairro, Marimar e Maria Mercedes até hoje são reprisadas e apresentam bons resultados nas tardes da emissora de Sílvio Santos. Outro produto do gênero trouxe todo o talento de Gabriela Spanic ao Brasil e fez de Paola Bracho uma das maiores vilãs do mundo: A Usurpadora. Mas o maior problema da Globo foi a novela mexicana infantil Carrossel. As crianças paravam o que estavam fazendo para conferir a inesquecível professorinha Helena, vivida por Gabriela Riveros, ajudando sua turma – que tinha alunos como Cirilo, Maria Joaquina, Jaime e Valéria – a resolver diversos problemas pessoais, tudo mesclado a muita fantasia e emoção. O sucesso de Carrossel chegou a incomodar o horário nobre da Globo com sua não menos excelente trama O Dono do Mundo, que trazia Antônio Fagundes como o médico Felipe Barreto, um vilão sedutor e sem o menor caráter, capaz de levar para a cama a noiva de seu amigo em plena lua-de-mel do casal para ganhar uma aposta. A mocinha corrompida, papel de Malu Mader, transformou-se em uma perigosa vilã no desenrolar da história.

Renascer

O Rei do Gado

Terra Nostra

A Indomada

Fera Ferida

Pedra Sobre Pedra

A Próxima Vítima

Por Amor

Explode Coração

Quatro por Quatro

Top Model

Vamp

A Viagem

Mulheres de Areia 

Ainda na faixa das 21h, a Globo apresentou sucessos marcantes e variados: o clima de suspense do romance policial A Próxima Vítima (Sílvio de Abreu), a simplicidade rural e toda a emoção de Renascer, O Rei do Gado e Terra Nostra, trazendo Raul Cortez e Antônio Fagundes em papéis memoráveis e fazendo o público torcer pelo amor de dois imigrantes italianos (Benedito Ruy Barbosa), a exploração do mundo dos ciganos e do transplante de coração em Explode Coração (Glória Perez), todo o sentimentalismo capaz de fazer Helena trocar seu próprio bebê pelo filho morto recém-nascido de sua filha Maria Eduarda, em Por Amor (Manoel Carlos) e o realismo fantástico de Fera Ferida e seus típicos moradores, Pedra Sobre Pedra e A Indomada (todas de Aguinaldo Silva), que no último capítulo exibia ao público a cena clássica da vilã Maria Altiva (Eva Wilma) evaporando em um incêndio e sua imagem sinistra no meio das nuvens jurando vingança ao povo de Greenville, com uma risada maléfica. No horário das 19h, os brasileiros riram muito com quatro mulheres de diferentes idades e personalidades se encontrando na cadeia e fazendo um pacto em Quatro por Quatro (Carlos Lombardi) e com a saga de vampiros que virou febre nacional, tendo Ney Latorraca como conde drácula, em Vamp (Antônio Calmon), além de toda a emoção e romantismo na comédia romântica Top Model, com Malu Mader (Antônio Calmon e Walther Negrão), mas foi Ivani Ribeiro que emocionou o país na faixa com sua última obra: A Viagem, com temática espírita, que trazia o amor transcendental entre o advogado Otávio Jordão (Antônio Fagundes), depois de morto em um acidente, com sua amada Diná (Christiane Torloni), que ficara na Terra recebendo seus sinais. A novelista, um ano antes, havia feito, no horário das 18h, de Mulheres de Areia, um vício nacional, contando com o talento de Glória Pires para viver as irmãs gêmeas Ruth e Raquel, idênticas fisicamente, mas de personalidades opostas, disputando o amor de um mesmo homem, o rico empresário Marcos (Guilherme Fontes).
Felicidade

História de Amor

Barriga de Aluguel

Xica da Silva

Chiquititas

Ainda na faixa das 18h durante a década de 1990, Glória Perez fez o público se emocionar ao promover a comovente disputa judicial entre Cláudia Abreu e Cássia Kiss por uma criança em Barriga de Aluguel, e Manoel Carlos apresentou duas marcantes crônicas da vida real: Felicidade e História de Amor, a primeira contando os encontros e desencontros de Maitê Proença e Tony Ramos, e a segunda traçando uma linda narrativa sobre relações amorosas e familiares, tendo Regina Duarte como protagonista. No final da década de 1990, o SBT e a Manchete voltaram a causar dores de cabeça para a Globo. A primeira apresentou uma febre nacional infantil que durou cinco temporadas: Chiquititas, remake de uma exitosa produção argentina de Cris Morena, tinha Flávia Monteiro como a mocinha Carolina e retratava as aventuras vividas por crianças e adolescentes dentro de um orfanato, com muita música e romance embalando a narrativa que durou cinco anos e apresentou diversos talentos ao Brasil, como Fernanda Souza, Bruno Gagliasso e Paulo Nigro. Já a Manchete trazia Walcyr Carrasco assinando Xica da Silva, uma inesquecível história de época e a primeira novela brasileira a ser estrelada por uma atriz negra. A atriz em questão era Taís Araújo.

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