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segunda-feira, 9 de julho de 2012

A novela no Brasil - parte II

Baila Comigo

Que Rei Sou Eu?

Ti-ti-ti

A década de 1980 veio ainda mais agitada, com o auge da telenovela na Globo. O Brasil parou para rir, chorar, torcer e vibrar com a história dos irmãos gêmeos separados na maternidade, Quinzinho e João Victor, em Baila Comigo, marcante sucesso de Manoel Carlos que deu a Lilian Lemmertz a tarefa de viver a primeira Helena, nome característico das heroínas das histórias do novelista. Tony Ramos, intérprete dos gêmeos, comoveu o país. Por outro lado, o público se divertiu muito na faixa das 19h com Cassiano Gabus Mendes, o rei do humor pastelão. Suas pitorescas narrativas envolvendo realismo fantástico e personagens caricatos arrebataram o coração dos brasileiros, seja no universo medieval de Que Rei Sou Eu?, seja nas rixas existentes no mundo da moda entre Ariclenes e André na inesquecível Ti-ti-ti, maior sucesso da faixa até hoje, seja eternizando Luiz Gustavo como o detetive Mário Fofoca em Elas por Elas, seja fazendo o público se divertir com as futilidades de Marília Pera, que fica pobre da noite para o dia, em Brega e Chique, seja para criar uma anti-heroína marcante, vivida por Elizabeth Savalla, em Plumas e Paetês. Ainda no horário das 19h, Sílvio de Abreu cativou o público com sua comédia rasgada Guerra dos Sexos, promovendo uma divertida disputa entre primos – claro, de sexos opostos, mas que se apaixonam – por uma herança familiar. Fernanda Montenegro e Paulo Autran protagonizaram a maior cena de humor pastelão já vista até hoje na telinha brasileira: os dois atiram doces e bebidas um no outro durante um café da manhã, reafirmando a implicância nata que seus personagens nutriam um pelo outro. Mais tarde, Sílvio de Abreu brinda o público com Cambalacho, trazendo a irreverente Regina Casé ao mundo da teledramaturgia, como a hilária cantora Tina Pepper.

Elas por Elas

Brega & Chique

Plumas e Paetês

Guerra dos Sexos

Entretanto, os dois pares românticos que realmente conquistaram o público foram os protagonistas de Cabocla, de Benedito Ruy Barbosa, e da divertida A Gata Comeu, de Ivani Ribeiro, ambas na faixa das 18h. Glória Pires e Fábio Júnior viveram uma paixão tão intensa na ficção que a levaram para a vida real. Já o romance cheio de idas e vindas entre a mimada Jô, de Christiane Torloni, e o professor Fábio, de Nuno Leal Maia, fez do folhetim o mais assistido no horário até hoje. Dias Gomes conseguiu, em 1985, levar ao ar a novela Roque Santeiro, uma divertida e inesquecível crítica ao regime militar, censurada 10 anos antes no dia da estreia. Com a colaboração de Aguinaldo Silva, Dias Gomes fidelizou um grande público no horário nobre para acompanhar as hilariantes aventuras vividas pelos marcantes personagens da cidade fictícia de Asa Branca, como a espalhafatosa Viúva Porcina, de Regina Duarte, e o vaidoso Sinhozinho Malta, de Lima Duarte, com seu bordão “Tô certo ou tô errado?”. A cena final da novela literalmente parou o país, já que atingiu 100% de audiência. Tudo para se descobrir com quem Viúva Porcina ficaria em definitivo, a bordo de um avião: Roque Santeiro ou Sinhozinho Malta, o vencedor da peleja. Vale dizer que Roque Santeiro é até hoje a novela de maior audiência da televisão brasileira e a primeira a ser lançada em DVD.

Cambalacho

A Gata Comeu

Cabocla

Roque Santeiro

O Brasil parou novamente no horário nobre em 1988 para conferir uma crônica da vida real: Vale Tudo, de Gilberto Braga e Aguinaldo Silva, retratou tudo que existia de pior e mais sujo no Brasil naquela época, de turbulências políticas. O drama de Raquel (Regina Duarte), mulher íntegra e batalhadora, foi acompanhando desde o início pelos olhos atentos do povo, que não suportou ver sua filha ingrata, a ambiciosa Maria de Fátima (Glória Pires) vender a casa da família sem comunicar ninguém e fugir com o dinheiro para o Rio de Janeiro tentar a sorte por lá mesmo, onde, com a ajude de seu amante, o desonesto César (Carlos Alberto Ricelli), conseguiu se casar com o milionário Afonso (Cássio Gabus Mendes), filho da poderosa e arrogante Odete Roitman (Beatriz Segall), considerada a maior vilã brasileira de todos os tempos. Odete Roitman paralisava o Brasil com seus discursos preconceituosos e nem um pouco patriotas, ou quando humilhava a própria filha alcoólatra, Heleninha (Renata Sorrah). O país parou para descobrir a identidade do assassino de Odete Roitman no último capítulo da trama, fazendo da frase: “Quem matou Odete Roitman?” uma das mais repetidas até hoje, já que esse foi o primeiro de muitos assassinatos misteriosos a mobilizar o público nas novelas brasileiras. Em 1989, entretanto, o público voltaria a ser arrebatado com dois novos sucessos: a divertida e polêmica Tieta, de Aguinaldo Silva, trazendo para a TV novamente o universo de Jorge Amado, com muito êxito. Dessa vez, o papel de heroína nordestina sensual ficou para Betty Faria, que abalou corações e despertou o ódio de sua irmã carola, a malvada Perpétua (Joana Fomm). E Lima Duarte e Maitê Proença ainda viriam a emocionar o público com O Salvador da Pátria, no final da década de 1980, trama que fez o público jamais tirar da memória o simplório e analfabeto Sassá Mutema.

Vale Tudo

Tieta

O Salvador da Pátria

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