Baila Comigo
Que Rei Sou Eu?
Ti-ti-ti
A década de 1980 veio ainda mais
agitada, com o auge da telenovela na Globo. O Brasil parou para rir, chorar,
torcer e vibrar com a história dos irmãos gêmeos separados na maternidade,
Quinzinho e João Victor, em Baila Comigo,
marcante sucesso de Manoel Carlos que deu a Lilian Lemmertz a tarefa de viver a
primeira Helena, nome característico das heroínas das histórias do novelista.
Tony Ramos, intérprete dos gêmeos, comoveu o país. Por outro lado, o público se
divertiu muito na faixa das 19h com Cassiano Gabus Mendes, o rei do humor
pastelão. Suas pitorescas narrativas envolvendo realismo fantástico e
personagens caricatos arrebataram o coração dos brasileiros, seja no universo
medieval de Que Rei Sou Eu?, seja nas
rixas existentes no mundo da moda entre Ariclenes e André na inesquecível Ti-ti-ti, maior sucesso da faixa até
hoje, seja eternizando Luiz Gustavo como o detetive Mário Fofoca em Elas por Elas, seja fazendo o público se
divertir com as futilidades de Marília Pera, que fica pobre da noite para o dia, em Brega e Chique, seja para criar uma anti-heroína marcante, vivida
por Elizabeth Savalla, em Plumas e Paetês.
Ainda no horário das 19h, Sílvio de Abreu cativou o público com sua comédia
rasgada Guerra dos Sexos, promovendo
uma divertida disputa entre primos – claro, de sexos opostos, mas que se
apaixonam – por uma herança familiar. Fernanda Montenegro e Paulo Autran
protagonizaram a maior cena de humor pastelão já vista até hoje na telinha
brasileira: os dois atiram doces e bebidas um no outro durante um café da
manhã, reafirmando a implicância nata que seus personagens nutriam um pelo
outro. Mais tarde, Sílvio de Abreu brinda o público com Cambalacho, trazendo a irreverente Regina Casé ao mundo da teledramaturgia, como a hilária cantora Tina Pepper.
Entretanto, os dois pares românticos que realmente conquistaram o
público foram os protagonistas de Cabocla,
de Benedito Ruy Barbosa, e da divertida A
Gata Comeu, de Ivani Ribeiro, ambas na faixa das 18h. Glória Pires e Fábio
Júnior viveram uma paixão tão intensa na ficção que a levaram para a vida real.
Já o romance cheio de idas e vindas entre a mimada Jô, de Christiane Torloni, e
o professor Fábio, de Nuno Leal Maia, fez do folhetim o mais assistido no
horário até hoje. Dias Gomes conseguiu, em 1985, levar ao ar a novela Roque Santeiro, uma divertida e
inesquecível crítica ao regime militar, censurada 10 anos antes no dia da
estreia. Com a colaboração de Aguinaldo Silva, Dias Gomes fidelizou um grande
público no horário nobre para acompanhar as hilariantes aventuras vividas pelos
marcantes personagens da cidade fictícia de Asa Branca, como a espalhafatosa
Viúva Porcina, de Regina Duarte, e o vaidoso Sinhozinho Malta, de Lima Duarte,
com seu bordão “Tô certo ou tô errado?”. A cena final da novela literalmente
parou o país, já que atingiu 100% de audiência. Tudo para se descobrir com quem
Viúva Porcina ficaria em definitivo, a bordo de um avião: Roque Santeiro ou
Sinhozinho Malta, o vencedor da peleja. Vale dizer que Roque Santeiro é até hoje a novela de maior audiência da televisão
brasileira e a primeira a ser lançada em DVD.
Cambalacho
A Gata Comeu
Cabocla
Roque Santeiro
O Brasil parou novamente no
horário nobre em 1988 para conferir uma crônica da vida real: Vale Tudo, de Gilberto Braga e Aguinaldo
Silva, retratou tudo que existia de pior e mais sujo no Brasil naquela época,
de turbulências políticas. O drama de Raquel (Regina Duarte), mulher íntegra e
batalhadora, foi acompanhando desde o início pelos olhos atentos do povo, que
não suportou ver sua filha ingrata, a ambiciosa Maria de Fátima (Glória Pires)
vender a casa da família sem comunicar ninguém e fugir com o dinheiro para o
Rio de Janeiro tentar a sorte por lá mesmo, onde, com a ajude de seu amante, o
desonesto César (Carlos Alberto Ricelli), conseguiu se casar com o milionário
Afonso (Cássio Gabus Mendes), filho da poderosa e arrogante Odete Roitman
(Beatriz Segall), considerada a maior vilã brasileira de todos os tempos. Odete
Roitman paralisava o Brasil com seus discursos preconceituosos e nem um pouco
patriotas, ou quando humilhava a própria filha alcoólatra, Heleninha (Renata
Sorrah). O país parou para descobrir a identidade do assassino de Odete Roitman
no último capítulo da trama, fazendo da frase: “Quem matou Odete Roitman?” uma
das mais repetidas até hoje, já que esse foi o primeiro de muitos assassinatos
misteriosos a mobilizar o público nas novelas brasileiras. Em 1989, entretanto,
o público voltaria a ser arrebatado com dois novos sucessos: a divertida e
polêmica Tieta, de Aguinaldo Silva,
trazendo para a TV novamente o universo de Jorge Amado, com muito êxito. Dessa
vez, o papel de heroína nordestina sensual ficou para Betty Faria, que abalou
corações e despertou o ódio de sua irmã carola, a malvada Perpétua (Joana
Fomm). E Lima Duarte e Maitê Proença ainda viriam a emocionar o público com O Salvador da Pátria, no final da década
de 1980, trama que fez o público jamais tirar da memória o simplório e
analfabeto Sassá Mutema.














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