Já é de praxe, para quem assiste novelas, saber que as vilãs aprontam grandes maldades para prejudicar as mocinhas - geralmente suas grandes inimigas - durante toda a história, fazendo uso de mentiras, chantagens, sabotagens e falsidade. Entretanto, as heroínas sofrem caladas a maior parte do tempo. Donas de um caráter exemplar e de muita dignidade, as protagonistas dos folhetins se recusam a devolver na mesma moeda cada um dos delitos das megeras, até que uma hora elas se dão mal... geralmente, acabam mortas ou presas no último capítulo.
Entretanto, as vilãs sofrem antes mesmo do fim da história, em apenas uma exceção que as mocinhas abrem para sua integridade: elas dão uma lição nas víboras, com direito a bofetadas, empurrões e puxões de cabelos. O público anseia o que já virou moda hoje em dia: o capítulo onde se esgotará a paciência da heroína e ela partirá para cima da rival, lavando a alma dos telespectadores, indignados com as maldades dessas dissimuladas personagens.
O primeiro grande caso foi em 1978, no fenômeno Dancing Days, de Gilberto Braga. No último capítulo, em uma das cenas clássicas da teledramaturgia brasileira, Júlia (Sônia Braga), cansada de sofrer com as injustiças armadas pela presunçosa Iolanda (Joana Fomm) - com o objetivo de impedir a rival de ver a própria filha, a quem criou enquanto Júlia esteve presa injustamente -, Júlia a procura na boate e as duas trocam insultos, dizendo uma para a outra o que estava engasgado. Júlia esbofeteia Iolanda e as duas se atracam. Ao final do quebra-pau, no entanto, as personagens fazem as pazes com um abraço.
http://www.youtube.com/watch?v=n1e3JhVM5hU
O autor viria a usar dessa tática para punir as inescrupulosas Maria de Fátima (Glória Pires) e Odete Roitman (Beatriz Segal) na memorável Vale Tudo, dez anos depois do primeiro grande embate.
Maria de Fátima vende a casa da mãe no começo da novela e foge com o dinheiro para o Rio de Janeiro sem comunicá-la, deixando Raquel (Regina Duarte) na miséria. Mais tarde, para dar um golpe e se casar com o milionário Afonso (Cássio Gabus), a vilã se alia a Odete para separar Raquel de Ivan (Antônio Fagundes) e prejudicar o romance de Afonso com a amiga de Fátima, a honesta Solange (Lígia Brondi). Mais tarde, Odete Roitman promove uma sabotagem ao restaurante de Raquel. Tanta maldade assim revoltou o público e Raquel e Solange responderam por ele:
http://www.youtube.com/watch?v=1uG8V3CX3sI
http://www.youtube.com/watch?v=PxirrBL9nuo
http://www.youtube.com/watch?v=VxHH_hltVHc
Em 1989, foi a vez de Aguinaldo Silva lançar mão desse recurso para devolver para a malvada beata Perpétua (Joana Fomm) todo o mal que ela fez para a irmã Tieta (Betty Faria), personagem-título desse inesquecível sucesso.
http://www.youtube.com/watch?v=RumTLI1m3iA (A briga começa a partir de 4:29)
Na década de 1990, a técnica saiu da faixa das 21h para brindar o público com acertos de contas memoráveis nos horários das 19h e das 18h. Quem não se lembra de Maria Escandalosa (Cláudia Raia) agredindo Sabrina (Paula Hunter) ao saber da falsa gravidez da safada em Deus Nos Acuda (1992), ou da doce Ruth (Glória Pires) lavando a alma do público ao bater na perversa Raquel (Glória Pires) em Mulheres de Areia (1993)?
http://www.youtube.com/watch?v=OOIdIwatQQY
http://www.youtube.com/watch?v=zphCQPVDqog
De volta ao horário das 21h, o público ainda se divertiu vendo Isabela (Cláudia Ohana) - A Próxima Vítima (1995) -, Branca (Suzana Vieira) e Laura (Viviane Pasmanter) - Por Amor (1997) - e Janete (Ângela Vieira) - Terra Nostra (1999) - apanhando.
http://www.youtube.com/watch?v=snnRoWQKsaU
http://www.youtube.com/watch?v=SOPVPYI7ZYg&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=6uJFB_b4Wvw (a partir de 5:50)
http://www.youtube.com/watch?v=w7TkZAGXVDk
Agora, foi na década de 2000 que a clássica lição que a vilã leva se tornou uma constante. Veja a lista a seguir com o link de cada cena:
Laços de Família (2000) - Helena bate em Íris
http://www.youtube.com/watch?v=HRwMHLX9GXM
O Clone (2001) - Yvete bate em Alicinha
http://www.youtube.com/watch?v=Hq1fnjPsP5k
Mulheres Apaixonadas (2003) - Carlão bate em Dóris
http://www.youtube.com/watch?v=wJ2SvF0A7wA
Celebridade (2003) - A inesquecível cena em que Maria Clara bate em Laura. Foi este grande momento da trama de Gilberto Braga que popularizou de vez a imagem de uma megera sendo espancada.
http://www.youtube.com/watch?v=BOjvX2JWbTY
Senhora do Destino (2004) - Maria do Carmo bate em Nazaré Tedesco
http://www.youtube.com/watch?v=p_b5dIjIEYA
Paraíso Tropical (2007) - Paula bate em Taís
http://www.youtube.com/watch?v=q0YOYjStVR4
Duas Caras (2007) - Maria Paula bate em Sílvia
http://www.youtube.com/watch?v=gEKClOaVJGg
Caminho das Índias (2009) - Melissa bate em Yvone
http://www.youtube.com/watch?v=wZ6Mr3jlldc
Viver a Vida (2009) - Ellen bate em Isabel
http://www.youtube.com/watch?v=Sk0sl9gI8rY
Passione (2010) - Diana bate em Melina
http://www.youtube.com/watch?v=71gRXvmSlv0
Insensato Coração (2011) - Marina bate em Úrsula
http://www.youtube.com/watch?v=gBHbdI5htLE&feature=related
Fina Estampa (2011) - Griselda bate em Tereza Cristina
http://www.dailymotion.com/video/xna3vy_fina-estampa-griselda-da-uma-surra-em-tereza-cristina_shortfilms
Avenida Brasil (2012) - Monalisa bate em Carminha
http://www.youtube.com/watch?v=2DNvwt28nC4
Caras & Bocas (2009) - Dafne bate em Judith
http://www.youtube.com/watch?v=B7g5Wt90_es
Ti-ti-ti (2010) - Marcela bate em Luisa / Desirée bate em Stefany
http://www.youtube.com/watch?v=3E6KPrCO5OQ
http://www.youtube.com/watch?v=QxbHsUiVRXs
Alma Gêmea (2005) - Serena bate em Cristina / Zulmira bate em Débora
http://www.youtube.com/watch?v=QL1_oPv1STg
http://www.youtube.com/watch?v=c5Md7FfcvwA
Chocolate com Pimenta (2003) - Ana Francisca bate em Olga
http://www.youtube.com/watch?v=WLOsd7FivnI
Cama de Gato (2009) - Rose bate em Verônica
http://www.youtube.com/watch?v=Se9xptSB5vI
quarta-feira, 25 de julho de 2012
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Saving Hope - 1x05 [REVIEW]
Desde o começo essa série me intrigou. Depois de ver Grey's Anatomy e qualquer outra série médica atual, Saving Hope parece brincadeira de criança, mas é justamente esse detalhe que me fez gostar dessa série em especial. Existem casos extravagantes em hospitais, sim, mas Saving Hope mostra que não é assim todo o dia, todos os dias.
A novela no Brasil - parte final
A audiência da Globo passou a
entrar em declínio em 2007, ainda mais com o crescimento da concorrência. No
SBT, o público adolescente vai a delírio com a nova febre: a novela mexicana Rebelde, protagonizada pelo grupo
musical RBD; há ainda a reapresentação de Pantanal,
enquanto a Record cresce e alcança a vice-liderança nacional com suas
produções: o remake de Escrava Isaura,
a marcante comédia romântica Prova de
Amor, o drama familiar Luz do Sol,
a clássica Amor e Intrigas, a
divertida Bela, a Feia, a ousada Os Mutantes e as inesquecíveis Chamas da Vida e Vidas Opostas. Já a Band também dá seu parecer produzindo duas
temporadas de uma novela juvenil musical, Floribella,
protagonizada por Juliana Silveira, que logo vira mania nacional. Até mesmo a discreta Rede TV! teve seu momento de ouro apostando em teledramaturgia. Foi com a novela importada Betty, a Feia, que conquistou um sucesso tão grande que mais tarde foram exibidos remakes - do México, dos Estados Unidos - no SBT e ganhou uma versão brasileira na Record.
Rebelde
Amor e Intrigas
Escrava Isaura
Prova de Amor
Luz do Sol
Os Mutantes
Chamas da Vida
Vidas Opostas
Bela, a Feia
Floribella
Betty, a Feia
Entretanto, a
Globo ainda apresenta gratas surpresas, com João Emanuel Carneiro inusitando no
horário nobre, com A Favorita, novela
que inicia sem revelar ao público quem é a heroína e quem é a vilã da
narrativa, trazendo Patrícia Pilar e Cláudia Raia como rivais e personagens
dúbias. Ao longo da história, Donatela (Cláudia Raia) se torna uma heroína
justiceira e Flora (Patrícia Pillar) se consagra a maior vilã de todos os
tempos, com uma personagem maquiavélica, perversa e diabólica. Em 2009, a Globo
ganha um Emmy de melhor novela do mundo graças ao talento de Glória Perez,
explorando a cultura indiana com uma nova paixão proibida, dessa vez abordando
temas como esquizofrenia. Essa é Caminho
das Índias. Na faixa das 19h, Walcyr Carrasco diverte e emociona todo o
Brasil com Caras & Bocas, não
menos inusitada tendo um chimpanzé como um dos personagens principais. Mas é
Isabelle Drummond quem rouba a cena como a patricinha Bianca. Na faixa das 18h,
após o remake do inesquecível romance vivido por Zeca (Eriberto Leão), o filho
do diabo, e Maria Rita (Natália Dill), a ‘santinha’ – Paraíso, de Benedito Ruy Barbosa –, a Globo ganha dois novos
talentos: Duca Rachid e Thelma Guedes, que já haviam trabalhado em um remake,
investem em produção própria e acertam na mosca: a trama policial Cama de Gato arrebata o coração dos brasileiros
com um enredo ágil e envolvente. Em 2010, Maria Adelaide Amaral proporciona
muitas gargalhadas a todos os brasileiros fazendo de seu remake de Ti-ti-ti um folhetim colorido e
irreverente, sendo um dos mais exitosos na faixa. Já em 2011, três sucessos
marcam a dramaturgia brasileira: Cordel
Encantado, um verdadeiro conto de fadas situado no sertão nordestino na
época do cangaço consagra Duca Rachid e Thelma Guedes como novelistas
imprescindíveis á televisão brasileira. No horário nobre, a audiência volta a
crescer com Aguinaldo Silva assinando a popular Fina Estampa, que propõe a discussão entre aparência e caráter, e
as 18h, no final do ano, a novata Lícia Manzo surpreende os brasileiros como
uma deliciosa crônica da vida real: A
Vida da Gente, com uma narrativa comovente abordando conflitos familiares
dos mais diversos tipos.
A Favorita
Caminho das Índias
Caras & Bocas
Paraíso
Cama de Gato
Cordel Encantado
A Vida da Gente
Ti-ti-ti
Fina Estampa
Atualmente, a Globo aposta em uma nova trama policial
de João Emanuel Carneiro, tendo como protagonista uma Débora Falabella
justiceira, que para se vingar da madrasta que a abandonara no lixão na
infância, é capaz das piores atrocidades. Na faixa das 19h, a nova mania
nacional é Cheias de Charme, dos
novatos Felipe Miguez e Izabel de Oliveira, que mesclam o cotidiano das
empregadas domésticas com a música tecnobrega brasileira, tendo a extravagante
cantora Chayene (Cláudia Abreu) como a mais nova queridinha do Brasil. As 18h,
acompanha-se um romance espírita escrito por Elizabeth Jhin, Amor Eterno Amor. Já no SBT, Sílvio
Santos aposta acertadamente em uma versão brasileira de Carrossel, e a Record não atravessa bons momentos com seu remake
nacional do folhetim adolescente Rebelde.
Avenida Brasil
Cheias de Charme
Amor Eterno Amor
Rebelde
Carrossel
A novela no Brasil - parte IV
A década de 2000 iniciou bombástica
na Globo, com o sucesso de Laços de
Família, de Manoel Carlos, no horário nobre, trazendo a história de uma mãe
que abdica de um grande amor em nome da felicidade de sua filha, que mais tarde
comove o país ao descobrir que tem leucemia e ser obrigada a raspar a cabeça em
uma cena que jamais saiu da lembrança de quem assistiu o drama vivido por
Camila (Carolina Dieckmann). Na faixa das 18h, era só risada com a comédia
romântica O Cravo e a Rosa (Walcyr
Carrasco), trazendo as peripécias de amor e ódio vividas pela feminista
Catarina (Adriana Esteves) e pelo machista Petruchio (Eduardo Moscovis). Outro
casal chegaria em 2001 para viver um romance impossível que jamais seria
esquecido pelo público: dessa vez era Glória Perez mesclando clonagem, cultura
islâmica, paixão e dependência química em um clássico da nossa dramaturgia, O Clone, narrativa conduzida pelo
romance de Jade e Lucas, vividos respectivamente por Giovanna Antonelli e
Murilo Benício. A vampiro mania voltou a ser uma realidade nos lares brasileiros
em 2002 com O Beijo do Vampiro (Antônio
Calmon), espécie de continuação do sucesso Vamp, que fazia 'aniversário' de 10 anos de estreia.
Laços de Família
O Cravo e a Rosa
O Clone
O Beijo do Vampiro
Em 2003, o público acompanhou a inesquecível história de Ana Francisca (Mariana
Ximenes), o patinho feio que se transforma em um cisne e volta para se vingar
de todos que lhe humilharam no passado, em Chocolate
com Pimenta, consagrando Walcyr Carrasco como um dos maiores nomes da
Globo. No horário nobre, Manoel Carlos aborda temas polêmicos como dependência
química, homossexualidade, violência doméstica, ciúme doentio e bala perdida em
Mulheres Apaixonadas e Gilberto Braga
para o país com mais um sucesso: Celebridade,
abordando o mundo de estrelas e jornalistas, tendo como fio condutor a
rivalidade entre a empresária Maria Clara (Malu Mader) e a invejosa Laura (Cláudia
Abreu). A trama teve seu auge quando a mocinha tranca a vilã em um banheiro e
lhe dá uma bela surra, lavando a alma dos telespectadores indignados com as
maldades de Laura. Em 2004, o público se emociona as 18h com a nova versão do
romance de Zuca e Luís, em Cabocla (Benedito
Ruy Barbosa), acompanha a comédia romântica Da
Cor do Pecado, que traz um novo talento para a Globo: João Emanuel
Carneiro, e também Taís Araújo como primeira protagonista negra da emissora.
Chocolate com Pimenta
Mulheres Apaixonadas
Celebridade
Cabocla
Da Cor do Pecado
Mas é para o horário nobre que o público volta suas atenções com o drama da
nordestina Maria do Carmo (Suzana Vieira), mulher batalhadora que luta por 20
anos para reencontrar a filha Lindalva (Carolina Dieckmann), sequestrada ainda
bebê pela psicótica garota de programa Nazaré (Renata Sorrah), vilã que
arrebatou o coração dos brasileiros com suas tiradas cômicas e seus surtos, que
iam desde ameaçar pessoas com tesouras até empurrar personagens escada abaixo.
A Globo ainda produziu o fenômeno Alma
Gêmea, de Walcyr Carrasco, falando sobre o amor eterno entre Rafael
(Eduardo Moscovis) e Serena (Priscila Fantin), que é assassinada mas reencarna
na mesma noite e volta para viver seu amor interrompido com o rapaz. No final
da história, os protagonistas morrem, emocionando todo o país. Sílvio de Abreu ainda
viria a surpreender no horário nobre com outro romance policial, dessa vez Belíssima, apostando em Fernanda
Montenegro como uma vilã rica e poderosa que termina a história impune em um
luxuoso apartamento em Paris. E em 2006, na faixa das 19h, João Emanuel Carneiro volta a divertir e emocionar o Brasil com mais uma comédia romântica de sucesso, que eterniza Lázaro Ramos como o malandro Foguinho, pobretão que por um erro de leitura de testamento, herda uma enorme fortuna.
Senhora do Destino
Alma Gêmea
Belíssima
Cobras & Lagartos
A novela no Brasil - parte III
Pantanal
Maria do Bairro, Marimar e Maria Mercedes
A Usurpadora
Carrossel
O Dono do Mundo
Na década de 1990, a homogenia da
TV Globo passou a ser ameaçada pela concorrente Manchete e pelo SBT. A
primeira arrebatou o público com a sensualidade de Cristiana Oliveira na pele
da heroína Juma Marruá, fazendo ainda Cláudio Marzo viver um personagem
antológico: o fazendeiro Zé Leôncio. Essa era Pantanal, retratando toda a beleza e biodiversidade brasileira, sob
o impecável texto de Benedito Ruy Barbosa, que tivera a sinopse de tal novela
recusada na Globo. A audiência do folhetim incomodou a concorrente, que também
encontrou problemas com o SBT importando novelas do México. A trilogia das
‘Maria’, heroínas vividas por Thalia, agarrou o público e não o soltou mais,
com típicos melodramas. Clássicos, Maria
do Bairro, Marimar e Maria Mercedes até
hoje são reprisadas e apresentam bons resultados nas tardes da emissora de Sílvio
Santos. Outro produto do gênero trouxe todo o talento de Gabriela Spanic ao Brasil e fez de Paola Bracho uma das maiores vilãs do mundo: A Usurpadora. Mas o maior problema da Globo foi a novela mexicana infantil Carrossel. As crianças paravam o que
estavam fazendo para conferir a inesquecível professorinha Helena, vivida por
Gabriela Riveros, ajudando sua turma – que tinha alunos como Cirilo, Maria
Joaquina, Jaime e Valéria – a resolver diversos problemas pessoais, tudo
mesclado a muita fantasia e emoção. O sucesso de Carrossel chegou a incomodar o horário nobre da Globo com sua não
menos excelente trama O Dono do Mundo,
que trazia Antônio Fagundes como o médico Felipe Barreto, um vilão sedutor e sem o
menor caráter, capaz de levar para a cama a noiva de seu amigo em plena
lua-de-mel do casal para ganhar uma aposta. A mocinha corrompida, papel de Malu
Mader, transformou-se em uma perigosa vilã no desenrolar da história.
Renascer
O Rei do Gado
Terra Nostra
A Indomada
Fera Ferida
Pedra Sobre Pedra
A Próxima Vítima
Por Amor
Explode Coração
Quatro por Quatro
Top Model
Vamp
A Viagem
Mulheres de Areia
Ainda na
faixa das 21h, a Globo apresentou sucessos marcantes e variados: o clima de
suspense do romance policial A Próxima
Vítima (Sílvio de Abreu), a simplicidade rural e toda a emoção de Renascer, O Rei do Gado e Terra Nostra,
trazendo Raul Cortez e Antônio Fagundes em papéis memoráveis e fazendo o público torcer pelo amor de dois imigrantes italianos (Benedito Ruy
Barbosa), a exploração do mundo dos ciganos e do transplante de coração em Explode Coração (Glória Perez), todo o sentimentalismo capaz de
fazer Helena trocar seu próprio bebê pelo filho morto recém-nascido de sua
filha Maria Eduarda, em Por Amor (Manoel
Carlos) e o realismo fantástico de Fera Ferida e seus típicos moradores, Pedra Sobre Pedra e A Indomada
(todas de Aguinaldo Silva), que no último capítulo exibia ao público a cena clássica
da vilã Maria Altiva (Eva Wilma) evaporando em um incêndio e sua imagem
sinistra no meio das nuvens jurando vingança ao povo de Greenville, com uma
risada maléfica. No horário das 19h, os brasileiros riram muito com quatro
mulheres de diferentes idades e personalidades se encontrando na cadeia e
fazendo um pacto em Quatro por Quatro (Carlos
Lombardi) e com a saga de vampiros que virou febre nacional, tendo Ney
Latorraca como conde drácula, em Vamp (Antônio
Calmon), além de toda a emoção e romantismo na comédia romântica Top Model, com Malu Mader (Antônio
Calmon e Walther Negrão), mas foi Ivani Ribeiro que emocionou o país na faixa
com sua última obra: A Viagem, com
temática espírita, que trazia o amor transcendental entre o advogado Otávio
Jordão (Antônio Fagundes), depois de morto em um acidente, com sua amada Diná
(Christiane Torloni), que ficara na Terra recebendo seus sinais. A novelista,
um ano antes, havia feito, no horário das 18h, de Mulheres de Areia, um vício nacional, contando com o talento de
Glória Pires para viver as irmãs gêmeas Ruth e Raquel, idênticas fisicamente,
mas de personalidades opostas, disputando o amor de um mesmo homem, o rico
empresário Marcos (Guilherme Fontes).
Felicidade
História de Amor
Barriga de Aluguel
Xica da Silva
Chiquititas
Ainda na faixa das 18h durante a
década de 1990, Glória Perez fez o público se emocionar ao promover a comovente
disputa judicial entre Cláudia Abreu e Cássia Kiss por uma criança em Barriga de Aluguel, e Manoel Carlos
apresentou duas marcantes crônicas da vida real: Felicidade e História de Amor,
a primeira contando os encontros e desencontros de Maitê Proença e Tony Ramos,
e a segunda traçando uma linda narrativa sobre relações amorosas e familiares,
tendo Regina Duarte como protagonista. No final da década de 1990, o SBT e a
Manchete voltaram a causar dores de cabeça para a Globo. A primeira apresentou
uma febre nacional infantil que durou cinco temporadas: Chiquititas, remake de uma exitosa produção argentina de Cris
Morena, tinha Flávia Monteiro como a mocinha Carolina e retratava as aventuras
vividas por crianças e adolescentes dentro de um orfanato, com muita música e
romance embalando a narrativa que durou cinco anos e apresentou diversos
talentos ao Brasil, como Fernanda Souza, Bruno Gagliasso e Paulo Nigro. Já a
Manchete trazia Walcyr Carrasco assinando Xica
da Silva, uma inesquecível história de época e a primeira novela brasileira
a ser estrelada por uma atriz negra. A atriz em questão era Taís Araújo.
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